Distribuição do ecossistema.
Três cortes sobre o mesmo conjunto: por camada institucional, por categoria funcional dos sistemas estaduais, e por maturidade tecnológica das categorias relevantes.
Estrutura institucional do setor.
Duas estruturas distintas mas operacionalmente interligadas: o conjunto dos 27 CBMs e o SINPDEC. Em vários estados, o próprio CBM opera a coordenadoria estadual de defesa civil.
| Nível | Órgão | Papel |
|---|---|---|
| Consultivo | CONPDEC | Conselho Nacional de Proteção e Defesa Civil, com representação federal, estadual, municipal e da sociedade civil. |
| Central federal | SEDEC | Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil, no MIDR. Coordenação nacional e plataformas federais. |
| Operacional federal | CENAD | Centro Nacional de Gerenciamento de Riscos e Desastres. Sala de crise 24/7 com analistas multidisciplinares. |
| Monitoramento | CEMADEN | Centro de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais, vinculado ao MCTI. Cobre 957 municípios vulneráveis. |
| Estaduais | CEPDEC/CEDEC | Coordenadorias estaduais, frequentemente operadas pelos CBMs ou ligadas às Secretarias de Segurança Pública. |
| Municipais | COMPDEC | Coordenadorias municipais — primeira linha de resposta. Cobertura e maturidade muito desiguais. |
Sistemas federais transversais.
Camada de chão de fábrica sobre a qual operam estados e municípios. Adoção obrigatória em vários casos. Toque cada sistema para expandir.
Operador: SEDEC / MIDR Federal
Desenvolvedor: CEPED/UFSC em cooperação técnica com o MIDR.
Marco legal: Portaria GM/MI nº 524/2012 — uso obrigatório pelos entes federados.
URL: s2id.mi.gov.br
Espinha dorsal informacional do SINPDEC. É nele que cada desastre é oficialmente registrado e classificado conforme a Codificação Brasileira de Desastres (Cobrade). Sem registro no S2iD, não há liberação de recursos federais para socorro e reconstrução — o que torna o sistema crítico para a operação financeira do socorro no Brasil.
Operador: Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais, vinculado ao MCTI Federal
Criação: Decreto Presidencial nº 7.513/2011.
Cobertura: 957 municípios vulneráveis, em operação 24/7.
Infraestrutura técnica composta por pluviômetros automáticos, radares meteorológicos, estações geotécnicas e modelos hidrológicos. Sistemas internos incluem o Salvar (visualização de áreas de risco), Siaden (alerta integrado), SISPAD (suporte à decisão) e SGRP (rede de coleta).
Criado pelo Decreto nº 5.376/2005, é o braço operacional da SEDEC. Funciona 24/7 com salas de gestão de crise, monitoramento e operações, e equipe multidisciplinar de analistas de sistemas, engenheiros, geólogos, meteorologistas, químicos, assistentes sociais e estatísticos. Ponto nacional de contato para coordenação federal de resposta a desastres de grande magnitude. Federal
Inovação tecnológica mais relevante da última década no setor. Em outubro/2022 a Anatel determinou às operadoras a implementação do Cell Broadcast; o sistema entrou em operação nacional a partir de novembro/2024 e foi acionado em larga escala pela primeira vez em São Paulo em dezembro/2024.
- → Cell Broadcast em redes 4G e 5G
- → iOS 17+ ou Android 11+ (fabricados a partir de 2020)
- → Dois níveis: severo e extremo
- → Sobrepõe-se à tela mesmo em modo silencioso
- → Sem cadastro prévio do cidadão
- → Disparo descentralizado (estados e municípios)
- → SMS 40199 (cadastro por CEP)
- → WhatsApp (61) 2034-4611
- → Canal Telegram "Defesa Civil Alertas"
- → TV por assinatura (durante programação)
- → Google Public Alerts (Maps e Busca)
Operador: Senasp / MJSP Federal
Função: Controle de atendimento e despacho de ocorrências de urgência e emergência (190, 191, 193, 153, 199).
Adesão: Mais de 200 cidades em pelo menos 9 UFs.
Avanço recente: Integração com AML desde 01/08/2025 — geolocalização automática de chamadas de celular.
Na prática, o sistema federal mais relevante para a operação cotidiana dos CBMs nos estados que o adotam — é nele que se processam as ligações para o 193 e o despacho das viaturas. Principal alternativa: desenvolvimento estadual próprio (E-193/SC, SYSBM/PR).
- → SCDI — Sistema de Cadastro de Deslizamentos e Inundações, mantido pela CPRM/Serviço Geológico do Brasil.
- → PNGRD — Plano Nacional de Gestão de Riscos e Resposta a Desastres.
- → Cadastro Nacional de Municípios com Áreas Suscetíveis — Decreto nº 10.692.
- → Inmet e CPTEC/Inpe — meteorologia federal, fornecem dados de entrada ao Cemaden.
Sistemas estaduais dos Corpos de Bombeiros.
Três grandes famílias funcionais que se repetem em quase todas as corporações: CAD (atendimento e despacho), atividades técnicas (PSCIP, AVCB, vistorias) e gestão administrativa.
Sistemas que processam as chamadas para o 193 e o despacho das viaturas. Convivem três modelos: adesão ao Sinesp CAD federal, desenvolvimento interno e modelo "de bombeiro para bombeiro" (compartilhamento entre corporações).
| UF | Sistema | Notas |
|---|---|---|
| SC | E-193 / E-Bombeiro | Desenvolvido pela DiTI do CBMSC. Autocompletar de endereços via contrato direto com Google, plantão 24/7 via chat, apps móveis FireCast (open source). Em uso no CBM/SE desde 2005 e em implantação no CBM/RS desde 2024 (piloto em Passo Fundo e Erechim). Compartilhado |
| PR | SYSBM | Sistema de Registro de Ocorrências e Estatísticas. Reconstruído sobre Scriptcase. Média anual de 130 mil ocorrências, ~500 mil acumuladas. Ciclo completo: abertura georreferenciada, despacho, escala, atendimento, BO com QR Code, BI. |
| AM | Sace | Sistema de Aplicativo e Chamadas de Emergência, desenvolvido pela equipe de TI da SSP-AM. Opera 190 e 193 no Ciops desde junho/2018. Custo zero por desenvolvimento interno. |
| GO | SISBOM | Sistema próprio do CBMGO, mantido pela corporação. |
| 9+ UFs | Sinesp CAD (federal) | Adesão à plataforma federal. Caso público: Pará via Segup. Reduz custo de desenvolvimento e manutenção. Integrado a AML desde 2025. |
Sistemas que cobrem análise de Projetos de Segurança Contra Incêndio e Pânico, vistorias, emissão de AVCB, credenciamento de profissionais, fiscalização e cobrança de taxas. A denominação "Prevenir" é usada por mais de uma UF para sistemas distintos — reflexo da ausência de padronização nacional.
| UF | Sistema | Características |
|---|---|---|
| MS | Prevenir / Prevenir 2.0 | Lançado em 24/07/2015. Pioneiro nacional no modelo de "atos declaratórios". 214 mil+ documentos emitidos. Prêmio de Inovação na Gestão Pública. Referência visitada por outros estados. Referência |
| AL | Previni (substituiu o SAPS) | Lançado em novembro/2025 pelo CBMAL. Login via gov.br. Projetos, vistorias, eventos, boletos, credenciamentos, fiscalização. Integração direta com o Facilita Alagoas / Redesim. |
| AM | SISGAT | Sistema de Gerenciamento de Atividades Técnicas da DAT/CBMAM. Cobre PSCIP, AVCB, processos simplificados e revendas (PTSGLP). |
| PA | SISGAT | Mesma denominação do AM, implementação independente no CBMPA. Integrado às Estações Cidadania e ao Decreto nº 1.098/2020. |
| PB | BRAVO | Portal de sistemas do Corpo de Bombeiros Militar da Paraíba. |
| GO | SIAPI | Sistema Integrado de Análise de Projetos e Inspeções do CBMGO. |
| TO | Prevenir | Sistema para regularização de edificações contra incêndio e emergência do CBMTO. Denominação coincide com a do MS, mas é implementação distinta. |
| PR | PrevFogo | Sistema do CBMPR para fiscalização e regularização pós-fiscalização. Notificações por e-mail e Correios, gestão de dívida ativa em integração com a Sefaz/PR. |
Ecossistema fornecedor.
Empresas — públicas e privadas, nacionais e internacionais — que fornecem produtos, serviços e tecnologia aos Corpos de Bombeiros e à Defesa Civil no Brasil.
| Empresa | Origem | Linha |
|---|---|---|
| Mitren (ex-Cimasa) | RS / Brasil | Player nacional dominante. Sede em Santa Cruz do Sul. Fornece historicamente ~85% das viaturas dos CBMs brasileiros e das maiores siderúrgicas e indústrias químicas do país. Linha atual: ABT, ABS, veículos especiais sobre chassis Mercedes, Iveco, Volvo, VW, Ford. Acordo com Iveco-Magirus desde 2007 para transferência de tecnologia de escadas. Líder nacional |
| Iturri Brasil | Espanha (BR) | Subsidiária do grupo Iturri (1947). Carrocerias para veículos especiais, manutenção e revitalização de viaturas, EPIs, soluções ergonômicas (Laevo, SkelEx 360). |
| Iveco-Magirus | Alemanha | Líder mundial em escadas mecânicas. Importação direta (Magirus DLK 55 CS, 55m, 360°, 18 andares em 77s) ou licenciamento à Mitren. |
| Rosenbauer | Áustria | Presença pontual; principalmente viaturas aeroportuárias (ARFF). |
| Chassis | Diversos | Mercedes-Benz, Iveco, Volvo, Scania, MAN, Volkswagen, Ford — chassis sobre os quais Mitren e Iturri montam superestruturas. |
| Empresa | Origem | Linhas |
|---|---|---|
| MSA Safety | EUA (subsidiária BR) | Capacetes F1XF e linha Gallet, equipamentos autônomos de respiração (SCBA), detectores de gases. |
| Dräger | Alemanha | SCBA, máscaras faciais, detecção de gases, câmeras térmicas. |
| Honeywell | EUA | Linha ampla — capacetes, vestimentas, calçados, proteção respiratória. |
| 3M | EUA | Proteção respiratória, capacetes, óculos, comunicação Peltor. |
| Iturri | Espanha (BR) | Roupas de aproximação, uniformes, calçados. |
| Distribuidores nacionais | Brasil | RIO EPI, Central do EPI, 1000 Marcas Safety, Super EPI, loja.bombeiros.com.br — integradores em licitações estaduais. |
Roupas de aproximação seguem norma técnica específica e contam, em geral, com três camadas: externa em fibra aramida, barreira de umidade, e camada térmica em Kevlar capaz de absorver até 75% do calor — proteção em temperaturas próximas a 800 °C, conforme literatura técnica do segmento.
- → Anatel — regulador que determinou o Cell Broadcast em out/2022.
- → Operadoras de telefonia móvel — Vivo/Telefônica, Claro, TIM, Algar. Operam SMS 40199 e Cell Broadcast.
- → Google — Google Public Alerts e parceiro tecnológico de CBMs (contrato com a DiTI/CBMSC para autocompletar de endereços no E-193).
- → Operadoras de TV por assinatura — canal complementar de difusão durante a programação.
- → Vaisala (Finlândia) — radares meteorológicos, pluviômetros, sondas. Em redes do Cemaden e em sistemas estaduais como o Simepar.
- → Selex / Leonardo (Itália) — radares meteorológicos de banda S e C em redes públicas brasileiras.
- → Geokon, Slope Indicator — instrumentação geotécnica para monitoramento de encostas.
- → SCADA e CFTV integrados — Hexagon (Intergraph), Genetec, Avigilon, Bosch — em CIOSP/Ciops/Cisp.
Análise comparativa e diagnóstico.
Premissas analíticas do consultor com base nas evidências documentais. Os níveis de maturidade são qualitativos.
Matriz SWOT do ecossistema
- Capacidade técnica interna das DiTIs/DTIs das corporações maiores (SC, PR, AL, MS).
- Infraestrutura federal madura: S2iD, Cemaden 24/7, Cenad e Defesa Civil Alerta.
- Modelo cooperativo "de bombeiro para bombeiro" entre estados (E-193, Prevenir).
- Indústria nacional consolidada de viaturas (Mitren) com capacidade exportadora.
- Falta de padronização nacional de modelos de dados de ocorrências.
- Baixa interoperabilidade entre os 27 CBMs e entre eles e as defesas civis estaduais e municipais.
- Maturidade tecnológica muito desigual entre corporações.
- Coordenadorias municipais frequentemente sem qualquer sistema digital.
- Consolidação de pelo menos um padrão nacional de CAD (Sinesp CAD ou E-193).
- Maturação do Cell Broadcast e expansão para alertas multi-risco.
- IA aplicada a despacho (otimização de rotas, previsão de demanda) e a imagens (drones, satélites).
- Integração CBM ↔ SAMU ↔ PM por dados unificados de despacho.
- Dependência de fornecedores estrangeiros em equipamentos críticos (SCBA, escadas mecânicas, radares).
- Risco cibernético crescente em sistemas críticos 24/7.
- Descontinuidade política e orçamentária prejudicando projetos plurianuais.
- Eventos climáticos extremos (caso do RS em 2024) excedendo capacidade instalada das defesas civis.
Maturidade tecnológica por categoria
Avaliação qualitativa do consultor — escala Baixo / Médio / Alto.
Recomendações estratégicas.
Onze recomendações organizadas por público-alvo, ordenadas por urgência. Premissas do consultor com base no diagnóstico apresentado.